Ilustração de Catarina Bessell

Liderança ainda é desafio para as mulheres no design

Foi meio que no improviso que a designer brasileira Bea Feitler fechou a capa da edição norte-americana da Harper's Bazar em abril de 1965. Mal sabia ela que o capacete rosa feito de papel para compor a capa marcaria época, fazendo referência à libertação feminina, corrida espacial e à revolução dos anos 1960. A brasileira deixaria seu nome (de novo) na história em 1981, ao fechar a capa da Rolling Stone gringa com a foto de John Lennon e Yoko Ono, tirada pela renomada fotógrafa Annie Leibovitz.

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Bea Feitler


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Rollign Stones e Harper's Bazar, capas desenvolvidas pela designer brasileira Bea Feitler

Também é de uma mulher a autoria de um dos logos mais famosos do mundo, o sinal de 'check' que identifica a Nike. O logo foi criado por Carolyn Davidson ainda na faculdade, para um amigo que estava abrindo uma empresa. Ela ganhou 35 dólares pelo job e só anos mais tarde teve o devido reconhecimento pela criação.

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Carolyn Davidson, designer e criadora do logo da Nike 

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Sketch do desenvolvimento do logo da Nike

Histórias de mulheres que marcaram e mudaram o design não faltam e a projeção é que elas façam cada vez mais história. Isso porque quando falamos de indústria criativa, observa-se que mais mulheres frequentam os cursos de design gráfico e ilustração, chegando a serem maioria nas turmas, um cenário diferente de alguns anos atrás.

“Esse aumento é claramente reflexo do movimento feminista no Brasil e no mundo. Há 16 aos quando me formei tinham seis mulheres em uma turma de 40. Digo que é um caminho sem volta. Hoje é claro no mercado que a diversidade traz ideias muito mais interessantes”, diz Vanessa Queiroz, designer e cofundadora do Colletivo Design, diretora da ADGBrasil (Associação de Designers Gráficos) e professora do curso de Direção de Criação Digital da EBAC.

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Vanessa Queiroz

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Identidade Visual do WME Awards (Women's Music Event)  desenvolvida pelo Colletivo 

Laura Teixeira, ilustradora e professora de Ilustração e Design Gráfico da EBAC, também nota uma maior participação de mulheres nos cursos hoje em dia e cita o que vê como mudança num mercado cuja presença feminina segue aumentando. “Pensando que todas as pessoas têm aspectos masculinos e femininos dentro de si, imagino que um mercado mais feminino seria mais fluido, inclusivo e colaborativo”. Ela reforça ainda que o “mercado procura pessoas criativas, pois são elas que verdadeiramente terão condições de abrir novos caminhos para a sociedade”.

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Ilustração de Laura Teixeira 


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Ilustração de Laura Teixeira 

NO DESIGN, DESAFIO É LIDERANÇA

Mas como esta maior participação feminina em cursos está se refletindo no mercado? No Reino Unido, por exemplo, apenas uma em cada cinco designers profissionais são mulheres, embora sete em cada dez estudantes de nível superior da área sejam mulheres, segundo pesquisa do Design Museum, de 2018. Para Vanessa, o maior desafio hoje das mulheres é liderança. Uma questão que não é só no design. No Brasil, em apenas 15% das empresas a presidência é ocupada por mulheres, segundo a pesquisa Panorama Brasil, de 2018.

"Temos muitos homens empreendedores nessa área ou em cargos altos nos escritórios e agências. As mulheres sofrem com o estereótipo na criação e só trabalham como atendimentos, sendo que são fundamentais na área de planejamento e branding, embalagem e até produção gráfica”, diz a designer. O caminho para ela é investir em mais cursos e eventos que tragam a mulher como pauta, mais mulheres em cargos de referência e dando aula. “É o que vai mudar a cara do mercado”.

A artista visual Catarina Bessell, conhecida por criações que brincam com o realismo mágico, inspiradas no universo de Julio Cortázar e Gabriel Garcia Márquez, aponta ainda para outra questão que pesa para mulheres: quando assumem cargos de liderança, “eles vêm associado de estigmas como a mandona, a arrogante”. "Ter uma opinião firme, ter ambições de crescer profissionalmente, ter iniciativa, quantas dessas características não são esperadas e até cobradas de um homem mas, quando uma mulher as apresenta, elas ainda são, estranhadas ou vistas como incompatíveis com a função social que a sociedade dá para mulher", comenta ela.

Ou seja, a sensação é de que o desafio é duplo: chegar na liderança e mostrar porque merece ocupar aquele lugar. Nesse sentido, Catarina ressalta que hoje é bom que haja debate sobre o tema e que para mudar, é preciso uma “revolução na esfera política e na esfera da intimidade”. “Não é possível falar de feminismo sem falar de um feminismo anticapitalista, de um projeto de revolução nos costumes da sociedade”, diz ela.

A artista vê a profissão como “uma busca constante de um equilíbrio entre fazer o que o mercado pede e aquilo que você acredita”. Sendo assim, Catarina conta que a questão do feminismo, da mulher, entra muito mais na postura profissional do que no seu trabalho autoral.

“Eu sou tão capaz de ilustrar assuntos classificados pela sociedade como masculino quanto qualquer homem. Uma personagem de um livro infantil pode vestir tanto azul, quanto rosa. Um cartaz para uma marcha feminista pode ser tanto roxo quanto da cor que eu quiser. O meu feminismo aparece quando eu exerço com total liberdade os assuntos que me aparecem. A liberdade é, em última instância, a minha luta”.

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Ilustração de Catarina Bessell

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Ilustração de Catarina Bessell

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Na EBAC oferecemos cursos de graduação, especialização e iniciação em design gráfico e ilustração. Nosssos programas formam profissionais prontos para enfrentar os desafios do mercado. Confira quais são eles.

Graduação britânica

Preparatório para Graduação: Pre-Foundation
Year Zero: Foundation Art and Design 
BA (Hons) Illustration
BA (Hons) Graphic Design

Especialização

Design Gráfico
Ilustração
Direção de Criação Digital

Iniciação


Criação e Design: Fundamentos
Técnicas de Desenho e Ilustração