Solveig (Battlefield V), Sadie (Red Dead Redemption 2), Lara Croft (Shadow of the Tomb Raider) e Kassandra (Assassins Creed Odyssey). Personagens mulheres que marcaram 2018

Mulheres nos games: elas são mais jogadoras, mas ainda minoria do lado de quem faz jogos

Falar de mulheres no mundo dos games no Brasil é compreender um universo um pouco contraditório: se do lado de quem joga elas já são a maioria no país, do outro lado do negócio, o de estúdios e desenvolvedoras, elas ainda ocupam poucos cargos e estão em menor número.

Segundo a pesquisa Game Brasil 2018, as mulheres são maioria entre jogadores no Brasil pelo 3º ano seguido, somando 58,9% dos gamers daqui. No mesmo ano, saiu 2° Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. Pelo recorte de gênero, as empresas que trabalham no segmento de games tem apenas 20,7% de mulheres colaboradores, contra 79,3% de homens.

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Counter Strike Go - Torneio Feminino. Foto: e-Glu do Pinguim

“Acho que na verdade as mulheres sempre jogaram, a diferença é que hoje em dia elas se assumem mais jogadoras”, comenta Camila Malaman, da Abragames (Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais). “Hoje no Brasil a gente tem 20% de mulheres trabalhando no desenvolvimento, apesar de elas ainda estarem em áreas como marketing, vendas e comercial. Quando falamos em programadoras, esse número cai para 10%. Ou seja: estamos consumindo um produto que muitas vezes foi desenvolvido por homens e para homens", completa ela.

Outros números revelados pela Pesquisa Game Brasil exploram a rotina dos jogadores. No caso das jogadoras, o levantamento mostrou que 15,1% disseram jogar todos os dias em consoles, outras 22,4% jogam de 3 a 6 dias por semana e 33,6% jogam pelo menos uma vez por semana. Nos jogos de desktop, 19,9% das mulheres disseram jogar todos os dias. E 41,8 % das gamers disseram que os jogos eletrônicos são sua principal diversão.

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Carol Mystique líder da equipe no CrossFire Stars 2

Esse já é um universo comum para a goiana Carol "Mystique" Melo, 28. Desde 2012, o mundo dos games passou a ser mais que um hobby para ela, que baseou seu apelido na personagem Mística, da Marvel. Carol representou o Brasil no CrossFire Stars 2, a Copa do Mundo da modalidade, em Chengdu, na China, em 2014, e defendeu várias equipes de eSports, como RMA, G3x, Kino entre outras, liderando algumas.

"Além de jogadora eu era líder (CPT) da minha equipe o que exige o dobro de dedicação. Todas as táticas e o time dependem de você, o entrosamento para efetuar o tático com eficiência, e tem a parte do seu jogo individual", conta ela.

AS GAMERS AINDA ENFRENTAM BARREIRAS

Ao falar da experiência como jogadora, Carol vê avanços, mas confessa que ainda existe uma visão muito machista por parte dos jogadores. "Somos a maioria, o problema é o machismo que é muito existente nos games. Que jogadora nunca colocou um nickname no jogo masculino ou algo que não dê para identificar seu gênero? Acho que nós todas", diz ela, que cobra mais de patrocinadores e estúdios uma postura firme em casos de assédio e desrespeito.

"Há uma diferença absurda no tratamento de alguns patrocinadores com o restante da equipe, já que eu sempre joguei com homens, então sempre observei a falta de apoio de alguns. Como CPT sempre sofri com jogadores que não me respeitavam. É muito difícil ter voz ativa e respeito tanto na equipe como com os patrocinadores", conta ela.

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Foto: Roteiro Nerd 

A empreendedora e designer de games Ariane Parra comemora o número de jogadoras, mas diz que o Brasil ainda tem "muito chão" para reproduzir este resultado em outras áreas. Desde 2014 Ariane está à frente da Women Up Games, organização que atua na inclusão de mulheres no mundo dos jogos digitais através de campeonatos, workshops, eventos e outros. "O intuito é empoderar as mulheres e mostrar que há sim lugar para elas na indústria de games”, comenta.

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Foto: Women Up Games

Segundo ela, um setor que vem chamando atenção nos games é o da ilustração, onde hoje há muitas mulheres atuando, assim como as chamadas influenciadoras digitais. “Parece ser um setor mais aberto da indústria de games. O que a gente conversa bastante aqui é que o lugar das mulheres não é só o da ilustração. Há outras áreas que mesmo não tendo tantas mulheres, você pode incentivar outras a atuarem, aprenderem programação e roteirização, por exemplo, que precisa sim de uma equipe mais diversa", conta ela.

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Women Up Games. Ilustração de Bi Aguiart


COMO EQUILIBRAR A BALANÇA?

Camila, da Abragames, cita ainda que em quatro anos, a participação das mulheres no desenvolvimento de games triplicou e que “essa preocupação com a diversidade de gênero e um ambiente de trabalho seguro e inclusivo está bem presente aqui e lá fora”, o que abre caminho para mudanças.

A grande aposta de Ariane tanto para diversificar quanto para destacar o Brasil é o mercado independente. "O Brasil tem se fortalecido na área de games independentes. Nessa parte, nota-se mais união entre as desenvolvedoras, o que fortalece esse setor. Além disso, é preciso ter mais diálogo com as universidades, os cursos de games, com a escola, que muitas vezes não leva esse mercado a sério por desconhecer seus números e oportunidades”.

Para incentivar mais mulheres, entre outros, nos eventos e estúdios, a Abragames criou no ano passado o seu conselho da diversidade. “Temos agora em torno de 20 representantes de grupos de minorias (gênero, raça, LGBTQI+ e PcD). Nossa primeira ação foi criar um selo da diversidade onde o objetivo é conseguir esse equilíbrio de pessoas diversas desenvolvendo e trabalhando em um produto com melhor representatividade”, diz ela.

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Diana: Personagem do jogo League of Legends

Para Carol, as meninas precisam se impor mais, mas ela também vê na mudança de postura dos patrocinadores e jogadores um início para melhorar o cenário. “Muitas meninas não se impõem por medo de acabar sem espaço, além disso, acredito que não deveria ter divisão de campeonatos femininos. Acho que somos capazes de jogar da mesma forma que os homens”, argumenta. Para as gamers que pensam em desistir, “Mystique” deixa um conselho: “Tenha força e foco nos objetivos, seja melhor para você mesma e não se cobre tanto”.

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Graduação - Bacharelado Britânico

Preparação de Portfólio
Preparatório para Graduação: Pre Foundation
Year Zero: Computer Graphics and Film Production
BA (Hons) 3D Games Art & Design

Iniciação

Computação Gráfica: Fundamentos