Game of Thrones acabou. E o que marcou?

(ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers sobre Game of Thrones)

A história que passou pelos sete reinos de Westeros, onde "verões duram décadas e os invernos uma vida inteira", chegou ao fim. Após oito temporadas, Game of Thrones encerrou suas atividades, colocando ponto final na disputa pelo desejado Trono de Ferro.

Baseada nos livros Crônicas de Gelo e Fogo, do autor George R.R. Martin, a série da HBO foi um verdadeiro fenômeno, dividiu fãs, bateu recordes de mortes em batalhas e promete deixar saudade dos mais apegados a Arya Stark, Daenerys Targaryen, Jon Snow, Tyrion Lannister e companhia. Mas o que mais marcou a série?

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QUALIDADE TÉCNICA

Um dos destaques do programa foi a sua qualidade técnica. “O mérito da série foi romper fronteiras do VFX e dos efeitos especiais nas séries de TV. Diferentemente dos grandes filmes, eles precisavam entregar um produto de boa qualidade periodicamente, o que também mostra o avanço tecnológico da área”, diz Saif Eddine Bouaouina, professor de 3D Modeling do curso de Pre-Foundation da EBAC.

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[batalha de Winterfell - A Grande Noite]
Entre as cenas, Saif cita a Batalha de Winterfell exibida no 3º episódio da última temporada e que levou 55 noites para ser filmado. Foram 60 minutos de ação e muitas mortes para contar. Até então, a maior batalha da série (Batalha dos Bastardos) tinha ocorrido na 6ª temporada e levou 25 dias para ser filmada.

“A fidelidade esteve presente até o final. Eu descartaria qualquer comentário negativo sobre as cenas do dragão porque não há uma referência real para comparar. Entre cenas ruins temos a do copo de café da Starbucks esquecido em uma mesa, mas olhando na timeline da série e o produto final, não há nada que eles poderiam ter feito melhor”, completa Saif.

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[Copo do Starbucks esquecido em cena]

UMA CENA PARA LEMBRAR, OUTRA PARA ESQUECER

Fabio Acorsi, diretor de animação e VFX da Vetor Zero/Lobo e professor de Motion Design na EBAC, listou duas cenas que mostram um bom uso e um mau uso do CGI (imagens geradas por computação gráfica) pela série.

No lado positivo, ele cita o episódio The Dance Of Dragons (5ª temporada) como bom exemplo da integração de um animal fabuloso em CG por toda a série, “em especial por ter a delicada situação humano-sobre-animal-que-não-existe”.

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Ele faz algumas comparações. “King Kong (2005), de Peter Jackson, tem algumas sequências que quase comprometem o filme sempre que o trágico anti-herói símio carrega Ann Darrow (Naomi Watts) tanto na floresta da Ilha da Caveira quanto na cena sob a neve no parque. O tracking, recurso digital que utiliza pontos/referências de um lugar físico não funciona adequadamente e sentimos ‘escorregar’ o movimento entre o objeto real e o objeto em CG nas cenas em que se optou ver o acting da atriz em enquadramentos não tão fechados”.

Para ele, o mérito de GoT é que as sequências de Daenerys sobre o dragão são convincentes, não só pelo aspecto da computação gráfica, mas também pelas escolhas inteligentes na decupagem das cenas.

O fardo de mau exemplo fica para Mother's Mercy, 10º episódio da 5ª temporada, quando Cersei é libertada pelo Alto Septão e realiza a humilhante Caminhada da Vergonha por entre o povo de Porto Real. “Há algumas sequências em que o rosto da atriz Lena Headey foi aplicado sobre uma dublê de corpo, com um resultado que não passou despercebido pelos fãs, mesmo com a decupagem picada em planos curtos e os closes explorando a atriz quase sempre na altura do busto sem revelar-lhe os seios”, comenta Fabio



O que pesa contra o efeito usado, para o professor, é o resultado atingido. No caso, aquém do esperado. “Temos exemplos muito mais bem realizados desde o excelente filme O Curioso caso de Benjamin Button ou, num caso mais extremo, o do primeiro ator recriado digitalmente em The Crow, de 1994, após a morte acidental de Brandon Lee, filho de Bruce Lee, o que se repete em Gladiator (2000) de forma muito competente em cenas do falecido Oliver Reed como o treinador Proximo”.

ROTEIRO DESAPEGADO

Uma boa história seja no cinema ou na televisão não sobrevive sem uma boa trama, um bom roteiro. Para Gustavo Ribeiro, diretor, montador e professor de Linguagem Audiovisual e Montagem de Documentário na EBAC, esse foi outro destaque da série.

“Tecnicamente falando, a série é perfeita. Mas há duas cenas que mostram bem a qualidade do roteiro. Uma delas é a cena da morte de Ned Stark, o pai, logo na primeira temporada. Além de totalmente inesperada, morre um cara que até então era o personagem principal da série, o que deixa o espectador perdido. Essa será uma das cenas mais importantes do programa inteiro. E tudo o que vem depois deriva dela”, comenta Gustavo.

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[Morte de Ned Stark]
Numa série marcada por tantas mortes, é de se esperar que boa parte delas seja emblemática. A outra cena destacada pelo professor é a do Casamento Vermelho, na terceira temporada. Na cena, Lady Catelyn, seu filho, Robb Stark e a esposa grávida dele, Talisa, são massacrados.

O Robb Stark é assassinado em um jantar. Sua mulher, Talisa Stark, que estava grávida, também é assassinada, é esfaqueada bem na barriga. Ele era o protagonista naquele momento. Então essas duas cenas em que o personagem central morre mostram que, ao contrário dos filmes onde o herói não morre, GoT não tinha compromisso de manter o protagonista até o fim, e isso surpreende o espectador”, diz Gustavo.

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[Casamento Vermelho]
Mas voltando ao Casamento Vermelho, a cena até hoje é uma das mais chocantes e comentadas entre os fãs da série e o próprio elenco. Autor dos livros, George R.R. Martin comentou uma entrevista que escrever esse trecho da história foi muito difícil, como “assassinar dois filhos”. Na mesma entrevista à revista Entertainment Weekly, Martin comentou a decisão de eliminar os protagonistas:

“Matei o Ned Stark porque todo mundo pensa: 'Ele é o herói, claro, vai se meter em confusão, mas aí vai sair dessas situações de alguma forma'. A próxima coisa previsível é pensar que seu filho mais velho irá se erguer para vingar o pai. Todo mundo vai esperar por isso. Então [matar Robb] imediatamente foi o que tive que fazer”.

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INICIAÇÃO

Computação Gráfica: Fundamentos
Preparatório para Graduação: Pre Foundation