Diversidade, o caminho da Marvel no cinema

Se teve uma estreia aguardada e badalada no primeiro semestre deste ano foi a chegada de “Vingadores: Ultimato” aos cinemas. Cercado de muito burburinho e com um marketing pesado, o filme encerra o primeiro grande arco narrativo do Universo da Marvel (três fases definidas pelo próprio estúdio) nos cinemas e mostrou que heróis fisgaram mesmo o público.

Batemos um papo com o professor de edição de filmes da EBAC, Jair Peres, para falar um pouco sobre os pontos altos e o futuro da Marvel.

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COMO TUDO COMEÇOU

"Desde as primeiras Comics na década de 40, os heróis ganham vida no cinema e na TV. Muitos fãs não querem assistir filmes de suas histórias preferidas enquanto cinéfilos acreditam que são apenas subprodutos. O principal problema é a qualidade das adaptações. Os roteiristas muitas vezes parecem não conhecer as obras originais devido a visível dificuldade em capturar a essência e pujança das mesmas", comenta Jair Peres, montador e professor de edição da EBAC.

Bem, antes de falar da Marvel, precisamos falar da DC, o estúdio "rival". Foi quem iniciou uma nova era nos filmes de heróis. "O equilíbrio parecia algo impossível de atingir”, comenta Peres. “Até o reboot de ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’, feito pela DC e dirigido por Christopher Nolan. O tom realista, amargo e profundo dos personagens deu novo folego as adaptações".

A Marvel entraria nessa nova fase com o filme “Homem de Ferro”, de 2008, que redefiniria seu universo cinematográfico. “O estúdio apostou na qualidade do roteiro, com produção soberba e roteiro afinado, além de orçamento bilionário. Obviamente houveram alguns altos e baixos nas estratégias de ambos os estúdios, mas a constante evolução da abordagem mais crível dos personagens não só agradou aos tradicionais fãs dos quadrinhos, como arregimentou uma nova leva de entusiastas, além da enorme bilheteria, é claro”, comenta Peres.

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A PALAVRA DE ORDEM DO FUTURO É: DIVERSIDADE

Foi só dez anos após o lançamento de “Homem de Ferro” que a Marvel levou às telas um longa protagonizado por um personagem negro, “Pantera Negra”, e, em 2019, uma produção encabeçada por uma mulher, “Capitã Marvel”.

Essas produções mais recentes mostram o estúdio indo ao encontro de pautas sociais e políticas bem atuais, como a questão racial, feminismo e diversidade. Algo que embora já fizesse parte do contexto de outros heróis, começa agora a ganhar mais apelo popular. Para Peres, essa identificação do público com as motivações de personagens tão fantásticos foi o golpe de mestre que fidelizou a audiência ao longo de tantos anos.

“Pantera Negra é um espetáculo para os olhos e os ouvidos. Finalmente a cultura negra tem o holofote e a merecida importância no cinema. É o filme mais corajoso da Marvel pela postura racial apresentada. Não foi somente um tópico em um longa. O longa inteiro foi construído ao redor do delicado tema. O empoderamento racial foi trabalhado pelo afiado roteiro de modo a instigar e emocionar públicos de todas as raças”, afirma o professor.

Prova de que o público aprovou os longas é que tanto “Pantera Negra” quanto “Capitã Marvel” ganharam mais de um bilhão de dólares nas bilheterias mundiais, muito mais do que “Thor: Ragnarok”, “Homem Aranha: De Volta ao Lar” ou “Doutor Estranho”, outras produções de peso do estúdio. A expectativa é de mais personagens femininas – você lembra que agora o Thor é a Thor? - e negros ganhando filmes solo.

“Diversidade é o ingrediente mais valioso na cultura pop e os filmes de heróis parecem assumir a cada obra, que o universo de possibilidades para seus personagens está em franca expansão. Os blockbusters dos últimos 5 anos estão investindo pesado na diversidade e causas sociais. Já nos quadrinhos, estas abordagens remontam aos anos 1960”, diz Peres, que ressalta que ainda há muito o que ser explorado e discutido. “O momento atual pede mais celeridade ao abordar estes tópicos”.

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PRÓXIMO PASSO: UM PERSONAGEM LGBTI

Nesse caminho apontando para a diversidade, ainda há uma barreira a ser ultrapassada: nenhum dos 22 filmes da franquia Vingadores incluiu um personagem principal que é LGBTQ. Será esse o próximo passo?

“Segundo a Marvel, em breve teremos um longa com um super-herói LGBTI. Apesar dos avanços nos quadrinhos, o tópico não foi abordado ainda. Após o foco no núcleo feminino em ‘Pantera Negra’ e ‘Vingadores: Ultimato’, a Marvel já deu mostras de que estão adentrando novos territórios”, diz Peres.

Duas deixas já foram apresentadas: em “Vingadores: Ultimato” temos o primeiro personagem gay a participar dos filmes, interpretado pelo próprio diretor, Joe Russo. No filme, ele integra um grupo liderado pelo Capitão América e comenta da perda de seu parceiro. A outra está em “Capitã Marvel” e, na verdade, começou a ganhar força com a declaração da própria atriz, Tessa Thompsom, que diz ter interpretado Valquíria como se ela fosse bissexual. A web já shipou o par com a super-heroína.

“Não é o girl power simplesmente. É uma virada de chave. Black matters. Women matter as well. Vindo de um estúdio deste porte, com a Disney dando as cartas, é um posicionamento muito poderoso. A DC, com o filme da ‘Mulher Maravilha’ foi incisiva a seu modo. Um filme comandado por mulheres que simplesmente desconheciam o conceito de sexo frágil merece os aplausos logo nos créditos iniciais. A premissa é simples e dilacerante. Independente do sexo, orientação sexual, raça ou credo, somos todos iguais”.

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GRADUAÇÃO

Year Zero: Computer Graphics and Film Production
BA (Hons) 3D Computer Animation & Modelling
BA (Hons) 2D Animation & Character for Digital Media
BA (Hons)Visual Effects for Film and TV

ESPECIALIZAÇÃO

Edição de Filme
Motion Design

INICIAÇÃO

Computação Gráfica: Fundamentos
Preparatório para Graduação: Pre Foundation