Ambientes funcionais e casas cheias de personalidade. O que a pandemia nos ensinou?

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Uma das tantas lições que a pandemia nos trouxe foi repensarmos nossa relação com o morar. Se antes, entendíamos que nossos lares funcionavam como meros dormitórios, já que a correria do dia a dia nos consumia e chegávamos em casa somente para dormir, hoje buscamos nela nossa identidade.

Além de uma mudança comportamental no que diz respeito a como nos relacionamos com o morar, também é possível identificar algumas tendências sobre as verdadeiras prioridades quando escolhemos um lar para chamar de nosso.

Nesse sentido, a mesa de jantar pensada para receber 10 ou 12 pessoas, perdeu espaço para uma área comum onde as crianças possam brincar ou para uma cozinha funcional onde toda a família possa se juntar. À medida que nos vimos obrigados a ficar dentro de casa, entendemos importância de ambientes funcionais e casas que tenham a nossa cara.

Camila Forbeck, arquiteta, curadora e designer de mobiliário concedeu uma entrevista ao blog da EBAC e trouxe reflexões importantíssimas sobre a nova relação com o morar e como projeta a moradia do futuro, uma vez que a pandemia nos apontou novas prioridades com relação as casas que moramos e a cidade em que vivemos.

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Veja a entrevista na íntegra:

EBAC - Considerando essa experiência vivida por pessoas do mundo todo - que se viram obrigadas a passar mais tempo em suas residências - o que acredita que será essencial ter dentro de casa daqui para a frente?

Acredito que está na própria pergunta a resposta para esse novo modo de ver a casa. As pessoas passarão a buscar a essência daquilo que está próximo delas, ou seja, o significado do espaço que ela ocupa. O isolamento dentro de casa fez as pessoas pararem e se perguntarem: por que isso está aqui? Por que eu preciso disso? Onde eu me vejo dentro desse ambiente? As pessoas passaram a buscar o significado e a identidade do lar que moram.

EBAC - Existe alguma coisa que acredita que as pessoas vão passar a abrir mão de ter em suas casas? Por quê?

Sem dúvida elas deixarão de construir invólucros perfeitos para eventos inexistentes. Antes da pandemia, eu recebia muitos clientes com desejo de projetar os espaços de casa pensando no momento que receberiam para uma festa, com uma mesa para 10/12 pessoas que ocupava toda a varanda, em detrimento de ter um jardim ou um espaço para as crianças brincarem, já que haviam terceirizado isso à área comum do edifício. Ou, às vezes, abriam mão de uma cozinha funcional e área de serviço por serem locais que nunca ocupavam em casa. À medida que fomos obrigados a ficar nela, passamos a ver como é importante que todas as funções do morar estivessem bem planejadas. A nova rotina de tirar os sapatos antes de entrar em casa, lavar toda a compra etc., fez com que as pessoas reparassem mais nesses ambientes.

EBAC - Quais características terão as casas do futuro na sua avaliação?

Primeiro, acredito que a funcionalidade dos ambientes passe a ser regra por conta da nova rotina que descrevi acima. Depois, entendo que a casa deverá ser um refúgio ao transmitir sensações de segurança, proteção e acolhimento. Acredito que passaremos a projetar escapes e ambientes com pausas naturais dentro de casa, de forma a nos integrar com a vegetação e poder observar o florescer de uma planta de perto. São detalhes que permitirão encontrar paz diante de momentos ainda incertos.

EBAC - Sobre a relação das pessoas com o morar, o que mudou no pós-pandemia?

Vejo que antes da pandemia muitas famílias priorizavam guardar na lembrança experiências vividas em viagens, passeios, eventos sociais, festas etc., mas depois do isolamento, entendo que muitos buscarão criar essas experiências dentro de casa, afinal, é onde passamos grande parte de nosso tempo. Por que esperar para entrar em um quarto de hotel confortável, com arandelas de luz quente, tapete macio, cortinas aconchegantes uma vez ou outra se podemos organizar nosso quarto e ter essa experiência todo dia ao chegar em casa? Viver experiências dentro do ambiente doméstico, seja na varanda, na cozinha, na sala, no quarto, no ateliê, será a relação mais rica que teremos daqui para frente. Além disso, como designer de mobiliário, sinto que muitos passaram a valorizar a qualidade e a ergonomia da mobília. Às vezes, na ânsia de ter um sofá na sala, as pessoas compravam qualquer peça para preencher o layout em detrimento de observar detalhes relevantes quanto a acabamento e conforto. Hoje, desenho mobiliários voltados para área externa, mas com pegada indoor, de modo que o mesmo produto possa ter flexibilidade de uso e atender às várias demandas, como estar na varanda para as crianças brincarem com a mangueira ou na sala acomodando a família em frente à TV.

EBAC - O que você acha que se manteve como prioridade na relação com o morar? O que considera que serão as próximas prioridades nesse quesito?

Somos seres sociáveis por natureza, então, ter locais para receber amigos e família com conforto, sempre será prioridade. Com as pessoas trabalhando em casa, passou a ser prioridade separar um espaço amplo, iluminado e ventilado para essa atividade. Era muito comum que a mesa do computador fosse somente uma bancada em frente à parede para se fazer uma eventual consulta ao computador ou fazer uma anotação. No entanto, fomos obrigados a repensar essa atividade dentro do espaço doméstico, priorizando equipamentos, bancadas, circulação etc. Além disso, observei que muitos movimentos de reorganização também se fizeram presentes. Desde retirar objetos que nunca foram usados, móveis que não tinham utilidade, jogar fora roupas, acessórios que há muito tempo não usavam e por aí vai. Dessa forma, entendo que as pessoas passarão a se cercar somente de objetos, lembranças e mobiliários que as vinculem à própria história para que tudo em seu entorno tenha sentido. Quanto vale ter na parede uma gravura qualquer enquadrada quando se pode emoldurar um ticket de metrô usado em uma viagem especial? Para mim, essa é a tradução da palavra lar.

EBAC - Os locais escolhidos para viver também sofreram transformação. Já existe registro de demandas de pessoas deixando os grandes centros urbanos para locais mais afastados em busca de qualidade de vida. Como você avalia essa transformação. Ela vai perdurar ou é momentânea?

Acredito que deva perdurar. Ver que a vida pode ser tão efêmera nos fez repensar valores que colocamos nas escolhas que fazemos. Esse êxodo que temos visto se dá porque percebemos que muitas atividades conseguem acontecer à distância sem afetar a produtividade. Na verdade, em muitos casos, há relatos de aumento de produtividade pela diminuição do estresse ocasionado por longos deslocamentos, rotinas atribuladas, excessos de reuniões vazias, almoços longe da família etc. Optar por morar fora dos grandes centros urbanos também está relacionado à mais espaço físico. Geralmente os terrenos no subúrbio tem um valor menor que do centro e isso possibilita que a família tenha mais conforto.

EBAC - Qual você acredita que será a cidade do futuro?

Imagino uma cidade muito mais colaborativa, com feiras ao ar livre, onde possamos valorizar o ambiente externo. Tenho o sonho de ver setores privados investindo em gentileza urbana ao tornar suas fronteiras espaços semipúblicos em detrimento de espaços fechados. Sem dúvida os setores de comércio repensarão a maneira de receber o público com conforto, já que com número limitado de visitantes em ambientes internos aguardar na calçada ou fora dos estabelecimentos tornou-se um movimento habitual. Levando isso em conta, separar fluxos para pedestres e bicicletas será ainda mais essencial. Também veremos projetos de locais com conceitos mais abertos que valorizem a ventilação natural.

Conheça o trabalho de Camila Forbeck:
Instagram - @camilaforbeck


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